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É necessário avançar rumo a uma sociedade do cuidado na América Latina e no Caribe para alcançar uma recuperação transformadora, sustentável e com igualdade de gênero

Autoridades e representantes da sociedade civil e de organismos internacionais participaram da abertura da 61ª Reunião da Mesa Diretiva da Conferência Regional sobre a Mulher da América Latina e do Caribe, organizada pela CEPAL em coordenação com a ONU Mulheres.

29 de setembro de 2021|Comunicado de imprensa

Altas autoridades de governo e representantes de organismos internacionais, da academia, de organizações de mulheres e feministas e da sociedade civil fizeram hoje um apelo urgente para investir na economia do cuidado na América Latina e no Caribe, com ênfase na criação de empregos decentes para as mulheres, e avançar rumo a uma sociedade do cuidado para alcançar uma recuperação transformadora, sustentável e com igualdade de gênero na região, durante a abertura da 61ª Reunião da Mesa Diretiva da Conferência Regional sobre a Mulher da América Latina e do Caribe que se realiza de forma virtual até quinta-feira, 30 de setembro.

A reunião, que conta com a participação de Ministras da Mulher e autoridades dos mecanismos para o avanço das mulheres, é organizada pela Comissão Econômica para a América Latina e o Caribe (CEPAL), que atua como Secretaria Técnica da Conferência, em coordenação com a Entidade das Nações Unidas para a Igualdade de Gênero e o Empoderamento das Mulheres (ONU Mulheres).

Na sessão de abertura participaram: Raúl García-Buchaca, Secretário-Executivo Adjunto para Administração e Análise de Programas da CEPAL, representando Alicia Bárcena, Secretária-Executiva da CEPAL; María-Noel Vaeza, Diretora Regional da ONU Mulheres para as Américas e o Caribe; e Mónica Zalaquett, Ministra da Mulher e da Equidade de Gênero do Chile, na qualidade de Presidente da Mesa Diretiva da Conferência Regional sobre a Mulher da América Latina e do Caribe.

Raúl García Buchaca destacou que a crise da COVID-19 aprofundou as desigualdades de gênero na região: as mulheres estão sobrerrepresentadas no desemprego, na informalidade, na pobreza, no trabalho doméstico e de cuidados, e na primeira linha de resposta à pandemia do setor da saúde, conforme detalhado.

“Cabe destacar que 6 em cada 10 mulheres da região estão concentradas em setores de alto risco afetados pela pandemia, como manufatura, comércio, trabalho doméstico remunerado e turismo”, afirmou o representante da CEPAL e alertou que “estamos diante de um paradoxo da recuperação: mesmo quando se observa um aumento de 2,2 pontos percentuais na taxa de participação no mercado de trabalho das mulheres, as projeções para 2021 estimam que apenas os homens retornarão aos níveis pré-crise, enquanto as mulheres apenas atingiriam a participação no mercado de trabalho de 2008 (49,1%). Ainda estaríamos nos níveis de há 13 anos.”

Raúl García Buchaca defendeu que os países da região mantenham políticas fiscais expansivas e impulsionem um novo pacto fiscal com igualdade de gênero, a fim de conter o impacto da crise na vida das mulheres e poder investir em um setor estratégico e dinamizador como a economia do cuidado.

“A sociedade do cuidado deve ser o horizonte para uma recuperação transformadora, sustentável e com igualdade de gênero. Precisamos de uma mudança urgente no estilo de desenvolvimento para avançar rumo a uma sociedade do cuidado em que se reconheça a interdependência entre as pessoas; entre os processos produtivos e a reprodução social; e que coloca a sustentabilidade da vida humana e do planeta no centro”, explicou.

María-Noel Vaeza, Diretora Regional da ONU Mulheres para as Américas e o Caribe, destacou que “o impacto da crise continua sendo patente e também as consequências desproporcionais para as mulheres e meninas. Por isso, temos a urgência de incorporar a igualdade de gênero, a participação das mulheres, em todos os planos de recuperação, em todo o processo decisório para soluções integrais de recuperação da pandemia, e também garantir que sejam implementadas políticas públicas que facilitem a cumprimento dos direitos humanos das mulheres”.

“A ONU Mulheres e a CEPAL têm insistido em políticas públicas que possam responder à crise dos cuidados, trabalho que antes da pandemia já recaía desproporcionalmente sobre as mulheres e cuja lacuna se ampliou”, sublinhou María-Noel Vaeza. “Acreditamos que o investimento em cuidados gera um triplo dividendo: no capital humano, no emprego e na participação das mulheres no mundo do trabalho”, afirmou a representante da ONU Mulheres, e destacou que se trata de “uma nova indústria”, que são necessários empregos de qualidade para sair da informalidade que caracteriza o setor.

Na mesma linha, a Ministra Mónica Zalaquett considerou que “temos sido testemunhas da fragilidade das conquistas que tanto nos tinha custado alcançar em termos de igualdade de gênero”, referindo-se ao colapso da participação do trabalho feminino, à crise do cuidado e ao aumento da violência contra as mulheres.

“Se a pandemia tem deixado algo positivo, é que trouxe à luz a relevância do trabalho do cuidado, historicamente invisibilizado, como pedra fundamental de nossas sociedades”, afirmou. “Somente mediante uma injetando recursos na economia do cuidado, que a dinamize e assegure sua sustentabilidade, podemos superar os nós estruturais da desigualdade de gênero e caminhar rumo a uma sociedade do cuidado”, destacou. Nesse sentido, a Ministra aplaudiu o Mapa Federal do Cuidado, um site interativo que permite conectar os cidadãos com as múltiplas ofertas de serviços de cuidado, tanto públicos como privados, lançados pelo Gobierno da Argentina em conjunto com a CEPAL, assim como a Aliança Global de Cuidado, promovida pelo Governo do México, por meio do INMUJERES (Instituto Nacional das Mulheres) e ONU Mulheres, no âmbito do Fórum Geração Igualdade, entre outras iniciativas que os países da região têm realizado.

Após a sessão de abertura, foi realizado o “Painel de Alto Nível: rumo a uma sociedade do cuidado para uma recuperação com igualdade de gênero e sustentabilidade”, que contou com a participação de autoridades governamentais e representantes de organismos internacionais, da sociedade civil e da academia.

Nessa sessão, a CEPAL apresentou o documento de trabalho Rumo à sociedade do cuidado: as contribuições da Agenda Regional de Gênero no marco do desenvolvimento sustentável, em que se pede para acelerar o passo rumo a uma justiça econômica, climática e de gênero, e avançar rumo a uma sociedade do cuidado que: priorize a sustentabilidade da vida e do cuidado do planeta; garanta os direitos das pessoas que necessitam de cuidados e das pessoas que cuidam; diminua a precarização dos empregos do setor do cuidado; e torne visíveis os efeitos multiplicadores da economia do cuidado em termos de bem-estar e como dinamizador para uma recuperação transformadora com igualdade e sustentabilidade.

Durante a 61ª Reunião da Mesa Diretiva serão trabalhados os preparativos para a XV Conferência Regional sobre a Mulher da América Latina e do Caribe, que será relizada na Argentina em 2022. Além disso, serão fornecidas informações sobre os avanços da Aliança Regional da Digitalização para as Mulheres da América Latina e do Caribe, liderada pelo Chile, com o apoio técnico da CEPAL e da ONU Mulheres, e sobre os aspectos do funcionamento do Fundo Regional de Apoio para Organizações e Movimentos de Mulheres e Feministas, entre outros assuntos.