Com alertas sobre a baixa fecundidade, o envelhecimento demográfico e os direitos das pessoas com deficiência, foi concluído o encontro regional sobre população e desenvolvimento na CEPAL

30 Out 2025 | Press Release

A Sexta Reunião da Mesa Diretiva da Conferência Regional sobre População e Desenvolvimento da América Latina e do Caribe foi realizada na sede do organismo regional das Nações Unidas em Santiago, Chile.

Fotografía de la Sala Raúl Prebisch de la CEPAL.

Os países participantes da Sexta Reunião da Mesa Diretiva da Conferência Regional sobre População e Desenvolvimento da América Latina e do Caribe, concluída nesta quinta-feira na sede da CEPAL em Santiago, Chile, reconheceram avanços na implementação do Consenso de Montevidéu sobre População e Desenvolvimento, adotado em 2013; no entanto, fizeram um chamado para redobrar esforços a fim de alcançar sua plena execução e alertaram para temas como a baixa fecundidade, o envelhecimento demográfico e os desafios para o pleno exercício dos direitos das pessoas com deficiência na região.

O encontro intergovernamental, realizado nos dias 29 e 30 de outubro, foi organizado pela Comissão Econômica para a América Latina e o Caribe (CEPAL), com o apoio do Fundo de População das Nações Unidas (UNFPA) e sob a presidência da Colômbia. Participaram delegações de 24 países e territórios membros da CEPAL, compostas por altas autoridades dos ministérios e áreas relacionadas com temas de população e desenvolvimento da região, além de representantes de organismos internacionais, do meio acadêmico e da sociedade civil.

Nos acordos da reunião, os países chamaram a “reforçar o cumprimento das medidas prioritárias estabelecidas no Consenso de Montevidéu sobre População e Desenvolvimento, roteiro regional na matéria, mediante a execução de ações específicas, da alocação adequada de recursos e do fortalecimento de mecanismos institucionais apropriados para sua implementação e acompanhamento”.

“A América Latina e o Caribe estão vivenciando uma rápida mudança demográfica, com fortes impactos sobre as sociedades, as economias e o meio ambiente. O envelhecimento populacional, em particular, traz importantes desafios e oportunidades para os países da região. Observaremos, por exemplo, um aumento significativo na demanda por pensões, saúde e serviços de cuidados de longo prazo”, alertou Javier Medina Vásquez, Secretário Executivo Adjunto a.i. da CEPAL, na abertura do encontro. Ele destacou ainda a proposta de avançar rumo à “sociedade do cuidado”, uma mudança de paradigma do desenvolvimento que reconhece os cuidados como uma necessidade crescente ao longo de todo o ciclo de vida, um direito humano, um bem público global e um trabalho fundamental que dinamiza a economia como um todo.

“Sem reconhecer, valorizar e redistribuir o cuidado, não alcançaremos uma vida digna para todas as pessoas, nem a igualdade entre homens e mulheres”, ressaltou Javier Medina Vásquez, que representou o Secretário Executivo da Comissão, José Manuel Salazar-Xirinachs.

O alto funcionário também destacou que, 12 anos após sua adoção, “o Consenso de Montevidéu – expressão regional do Programa de Ação do Cairo – continua sendo, juntamente com a Agenda 2030 para o Desenvolvimento Sustentável, uma ferramenta indispensável para continuar trabalhando pela inclusão de todas as pessoas em nossa região, sem deixar ninguém para trás”.

Susana Sottoli, Diretora Regional para a América Latina e o Caribe do UNFPA, afirmou, por sua vez, que “uma das maiores dívidas históricas dos nossos países é a inclusão das pessoas com deficiência. As barreiras que enfrentam são múltiplas: falta de acessibilidade, maior risco de sofrer violência de gênero e privação de direitos. Essas realidades nos lembram que a deficiência não está nas pessoas, mas no entorno que as exclui. É hora de responder às suas necessidades e construir um futuro mais inclusivo”.

Enquanto isso, Mauricio Jaramillo Jassir, Vice-Ministro de Assuntos Multilaterais do Ministério das Relações Exteriores da Colômbia, país que exerce a Presidência da Mesa Diretiva da Conferência Regional sobre População e Desenvolvimento, reafirmou “o firme compromisso do nosso Governo com a implementação do Consenso de Montevidéu sobre População e Desenvolvimento e com a Agenda 2030 para o Desenvolvimento Sustentável, convencidas e convencidos de que é necessário aprofundar o caminho já percorrido pela região”.

No encerramento da reunião, Simone Cecchini, Diretor do CELADE – Divisão de População da CEPAL, que atua como Secretaria Técnica da Conferência Regional, destacou que o Consenso de Montevidéu nos obriga a concentrar o foco nas desigualdades e nas barreiras enfrentadas pelos diferentes grupos da população, e muito especialmente pelas pessoas com deficiência, na realização de seus direitos.

No marco do encontro, a CEPAL lançou seu relatório anual Observatório Demográfico 2025 – América Latina e o Caribe diante da baixa fecundidade: tendências e dinâmicas emergentes. O documento alerta, entre outros pontos, que a taxa global de fecundidade na América Latina e no Caribe atingiu, em 2024, 1,8 filho por mulher e se mantém, desde 2015, abaixo do nível de reposição (2,1 filhos por mulher). Em 2024, segundo a publicação, 76% dos países e territórios da região registraram taxas inferiores a esse nível, necessário para manter a população estável na ausência de migrações.

Na reunião regional, a CEPAL também apresentou o documento As pessoas com deficiência: da visibilidade estatística ao exercício de direitos, no qual se destaca que pelo menos 6,5% da população da América Latina e do Caribe vive com algum tipo de deficiência, proporção que pode ser ainda maior devido às limitações dos métodos de medição disponíveis. A publicação ressalta que a abordagem social e baseada em direitos é fundamental para garantir a plena participação das pessoas com deficiência e avançar rumo a uma sociedade mais justa e inclusiva.

As delegadas e os delegados reunidos em Santiago solicitaram à CEPAL a preparação de um novo estudo que analise os desafios e oportunidades decorrentes da baixa fecundidade e do envelhecimento demográfico na América Latina e no Caribe, sob a ótica do desenvolvimento sustentável, da inclusão e do pleno exercício dos direitos na região. Esse estudo será apresentado na Sexta Reunião da Conferência Regional sobre População e Desenvolvimento da América Latina e do Caribe, que será realizada em agosto de 2026, em Montevidéu, Uruguai.

A atual Mesa Diretiva da Conferência Regional sobre População e Desenvolvimento foi eleita durante a Quinta Reunião da Conferência, realizada em Cartagena das Índias, Colômbia, em 2024. É composta pela Colômbia na Presidência, e por Antígua e Barbuda, Brasil, Cuba, Guiana, Honduras, Peru, República Dominicana, Suriname e Venezuela nas Vice-presidências.

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