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Setor agropecuário do Uruguai, um exemplo de mudança estrutural

Estudo indica que, embora a economia uruguaia dependa fortemente das exportações baseadas em recursos naturais, as mudanças realizadas no setor agropecuário melhoraram a competitividade e os indicadores sociais do país.

1 de setembro de 2014|Notícia

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Foto: Iván Franco/EFE

Segundo uma recente publicação da CEPAL, embora a economia uruguaia dependa fortemente das exportações baseadas em atividades intensivas em recursos naturais (70%), as mudanças introduzidas no setor agropecuário melhoraram a competitividade internacional e os indicadores sociais do país. segundo o organismo, esses avanços indicam que o Uruguai está gerando condições para obter um desenvolvimento social mais inclusivo.

No estudo Cambios en la dinámica agropecuaria y agroindustrial del Uruguay y las políticas públicas (em espanhol), publicado pelo escritório da CEPAL em Montevidéu, os autores, Carlos Paolino, Lucía Pittaluga e Mario Mondelli, tentam verificar se o país está gerando ou não condições para a mudança estrutural sustentável no médio e longo prazo, segundo a definição apresentada pelo organismo no documento institucional Mudança estrutural para a igualdade: uma visão integrada do desenvolvimento (2012).

O estudo indica que as modificações introduzidas no setor agropecuário são produto de políticas ativas, que montam plataformas de variados tipos e produzem bens públicos. Com base nisso, se desenvolvem e potencializam bens privados que promovem um desenvolvimento competitivo de médio e longo prazo.

O relatório apresenta três estudos de casos que ilustram esses "novos tempos" na base agropecuária/agroindustrial de produção no Uruguai. O primeiro é o rastreamento do gado de corte e da própria carne (caixas negras nos frigoríficos), que permite um controle completo do processo de produção dos produtos de carne que o Uruguai exporta. O segundo refere-se ao desenvolvimento de regulação do uso e manejo de solos agrícolas, enquanto o terceiro aborda políticas ativas vinculadas ao desenvolvimento rural e a adaptação à mudança climática no país.

Segundo o estudo, a incorporação do progresso técnico a esses processos inovadores permitiu melhorar os indicadores sociais do país. Por exemplo, a pobreza rural caiu fortemente, passando de 17,9% das famílias que residem nesse meio em 2006 a apenas 2,9% em 2012. O mesmo sucede com os indicadores de pobreza em localidades de menos de 5.000 habitantes, onde reside parte importante das famílias que trabalham no setor agropecuário, que passaram de 35,3% em 2006 a 7,1% em 2010.

Os autores concluem que essas iniciativas baseadas em políticas públicas não só geraram bens públicos, mas também permitiram o surgimento de plataformas e oportunidades que aumentaram a confiança internacional no país, o que por sua vez atraiu investimentos nas áreas mencionadas.

Acrescentam que nos próximos anos o foco principal devem ser as ações para impulsionar um desenvolvimento tecnológico e institucional/normativo que permita seguir avançando na construção de competitividade internacional genuína e baseada em capacidades novas surgidas da interação entre os agentes públicos e privados especializados em recursos naturais.

No entanto, advertem que, para manter a competitividade internacional, o Uruguai deverá seguir avançando na criação de novas infraestruturas, na ampliação da matriz energética nacional e na educação.

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