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A reativação econômica precisa de reformas estruturais, fiscais e institucionais produtivas para avançar em direção a um estilo de desenvolvimento inclusivo e sustentável na América Latina e no Caribe

Edição especial da Revista CEPAL sobre os efeitos econômicos e sociais da COVID-19 na região foi apresentada num webinário liderado por Alicia Bárcena, Secretária Executiva do organismo.

29 de abril de 2021|Comunicado de imprensa

A região da América Latina e do Caribe foi a mais afetada pela pandemia de COVID-19 e também a mais prejudicada em termos econômicos e sociais. Isso se deve a fatores estruturais de longa data que prefiguraram seu estilo disfuncional de desenvolvimento. Por isso, a reativação econômica deverá, ao mesmo tempo, passar por significativas reformas estruturais produtivas, fiscais e institucionais para avançar na configuração de um novo estilo de desenvolvimento inclusivo e sustentável.

É o que assinalam Alicia Bárcena, Secretária Executiva da Comissão Econômica para a América Latina e o Caribe (CEPAL), e Mario Cimoli, Secretário Executivo Adjunto do organismo regional das Nações Unidas num artigo conjunto publicado na última edição da Revista CEPAL, disponível na internet. Sob o título "Assimetrias estruturais e crise sanitária: o imperativo de uma recuperação transformadora para o desenvolvimento sustentável na América Latina e no Caribe", os autores analisam os fatores estruturais que explicam por que essa crise pandêmica teve maior incidência sanitária e socioeconômica nesta região e revisam a produção intelectual da CEPAL em torno desse fenômeno.

Em sua edição nº 132, a principal publicação acadêmica do organismo regional das Nações Unidas inclui um total de 15 artigos de destacados especialistas e professores internacionais, que analisam de maneira especial os diversos efeitos econômicos e sociais da pandemia de COVID-19.

A edição especial da Revista CEPAL foi apresentada em 29 de abril de 2021, no webinário "COVID-19 e a crise socioeconômica na América Latina e no Caribe", liderado por Alicia Bárcena, no qual participaram Mario Cimoli, Secretário Executivo Adjunto da CEPAL; José Antonio Ocampo, Professor da Escola de Assuntos Internacionais e Públicos da Universidade de Columbia e Presidente do Comitê de Política de Desenvolvimento do Conselho Econômico e Social das Nações Unidas; Benedicte Bull, professora do Centro de Desenvolvimento e Meio Ambiente (SUM) da Universidade de Oslo (Noruega); Francisco Robles Rivera, Pesquisador do Instituto de Pesquisa Social e Professor da Escola de Comunicação da Universidade da Costa Rica; Leonardo Lomelí Vanegas, Professor Titular da Faculdade de Economia da Universidade Nacional Autônoma do México (UNAM); Maria Savona, Professora de Economia da Inovação na Unidade de Pesquisa de Política Científica da Universidade de Sussex e Professora de Economia Aplicada, Departamento de Economia e Finanças da Universidade Luiss, Roma; Juan Carlos Moreno Brid, Professor Titular da Faculdade de Economia da UNAM; e Rodrigo Alfonso Morales López, Pesquisador de Pós-Doutorado da Faculdade de Economia da mesma universidade.

Em seu artigo, Bárcena e Cimoli explicam que a pandemia emerge na região no contexto de três crises estruturais: uma crise social que se reflete nos altos níveis de desigualdade; uma crise econômica que se reflete no baixo crescimento e atraso tecnológico da região face aos países avançados e (cada vez mais) face a algumas economias asiáticas; e uma crise ambiental que se reflete na perda de biodiversidade, florestas e água e na tendência ao aumento das emissões de gases de efeito estufa. "Essas três crises e as políticas necessárias para superá-las interagem entre si. Mudar o estilo de desenvolvimento da região requer uma ação coordenada nos três", assinalam.

A estratégia de fechamento dessas três lacunas (econômica, social e ambiental) foi qualificada pela CEPAL como uma recuperação transformadora para o desenvolvimento sustentável, ou seja, uma estratégia que combine a recuperação econômica com a superação do estilo de desenvolvimento atual, conforme proposto no documento de posição da trigésima oitava sessão da Comissão: Construir um novo futuro: uma recuperação transformadora com igualdade e sustentabilidade.  

Numa perspectiva de médio e longo prazo, os autores lembram que a CEPAL argumenta que o desenvolvimento sustentável nos âmbitos social, econômico e ambiental não é algo que os mercados não regulamentados possam alcançar por conta própria. É necessário implementar políticas públicas em diversas áreas e simultaneamente em questões de inovação e atualização tecnológica; avançar rumo a um Estado de bem-estar social para apoiar o aprendizado e a igualdade; reformular os incentivos econômicos para promover a proteção do meio ambiente e implementar políticas macroprudenciais que proporcionem estabilidade e promovam a competitividade, políticas fiscais progressivas para a igualdade e o financiamento de investimentos públicos e políticas setoriais para incentivar a expansão dos setores que são os principais impulsionadores da sustentabilidade.

Também indicam que essa transformação exigirá pactos políticos que incluam políticas fiscais expansivas, progressivas, eficazes e eficientes. "São necessárias lideranças que proporcionem maiores graus de certeza, que saibam construir alianças, que ajudem a recuperar a política e o bem-estar, promover a solidariedade entre as nações, fortalecer a integração regional, cumprir as agendas internacionais, inclusive a Agenda 2030 para o Desenvolvimento Sustentável, e vincular a emergência à recuperação", enfatizam Bárcena e Cimoli em seu artigo.

Este número especial da Revista CEPAL  começa com uma Nota Editorial de Miguel Torres, Editor da Revista CEPAL, e uma apresentação de Alicia Bárcena e Mario Cimoli, editores convidados deste número intitulado "Economia Global e Desenvolvimento em Tempos de Pandemia: Os Desafios para a América Latina e o Caribe". Inclui também estudos que abordam a economia da saúde no México, os efeitos da COVID-19 e sua recuperação no Brasil e a construção de um multilateralismo favorável ao desenvolvimento para uma "nova" ordem econômica internacional, entre outros. Os artigos são assinados por renomados especialistas, como Leonardo Lomelí Vanegas, Secretário-Geral e acadêmico da Universidade Nacional Autônoma do México (UNAM); Luiz Carlos Bresser-Pereira, Professor Emérito da Fundação Getúlio Vargas do Brasil; Ha-Joon Chang, Diretor do Centro de Estudos para o Desenvolvimento e Professor de Economia Política de Desenvolvimento da Universidade de Cambridge; e José Antonio Ocampo, professor da Escola de Assuntos Internacionais e Públicos da Universidade de Columbia, para citar apenas alguns.

As opiniões expressas nos artigos publicados na Revista são dos autores e não refletem necessariamente as opiniões da CEPAL.