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Participação desigual das mulheres na economia digital afeta o desenvolvimento da América Latina e do Caribe

A XII Conferência Regional sobre a Mulher da América Latina e do Caribe se inicia hoje na República Dominicana.

15 de outubro de 2013|Comunicado de imprensa

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(15 de outubro de 2013) Em vários países da América Latina e do Caribe as mulheres equiparam-se aos homens no acesso à internet, porém encontram-se em clara desvantagem em relação a seu uso. Isso limita tanto o desenvolvimento pessoal e do trabalho da população feminina como o crescimento com igualdade dos países da região no marco do novo paradigma tecnológico, revela um novo estudo apresentado hoje pela Comissão Econômica para a América Latina e o Caribe (CEPAL).

A taxa de uso da internet pelas mulheres é em média 8,5% menor do que a dos homens em 10 países com informação disponível, incluídos no documento: Mulheres na economia digital: Superar o limiar da desigualdade, cujas conclusões serão debatidas na XII Conferência Regional sobre a Mulher da América Latina e do Caribe, que começa hoje em Santo Domingo, República Dominicana, e termina na sexta-feira, 18 de outubro.

A economia digital inclui a infraestrutura das telecomunicações -particularmente as redes de banda larga-, as indústrias de tecnologias de informação e comunicações (TICs) -hardware, software e aplicativos- e o grau de alfabetização digital dos usuários.

Em todos os países da região aumentou nos últimos anos, a proporção de homens e mulheres que revelaram usar a internet a partir de qualquer ponto de acesso, mas somente no Brasil, México e Uruguai a diferença reduziu-se entre ambos os sexos. No resto ampliou-se. A diferença entre mulheres e homens é de quase 5 pontos percentuais no Chile (39,3% contra 44%), país que conta com uma das maiores taxas de uso dessa tecnologia. No Peru, entretanto, 26% das mulheres e 34,1% dos homens dizem ser usuários.

Essa brecha digital de gênero é mais frequente nas áreas urbanas do que nas rurais e afeta principalmente as mulheres mais velhas de todos os níveis educativos. Em El Salvador a diferença entre mulheres e homens com educação terciária é de cinco pontos percentuais (70,3% contra 75,5%), enquanto em Honduras é de quase três (71,2% e 74%). No Brasil, por sua vez, 4,3% das mulheres e 7,4% dos homens de 65 anos e mais declaram usar a internet, diferença que se repete nos países como Costa Rica (3,1% e 7,1%) e Equador (2,1% e 4,1%).

O prevalecimento do uso da internet aumenta à medida que aumenta o nível de renda dos domicílios, mas a brecha de gênero é menor naqueles grupos onde a tecnologia é menos acessível. Por exemplo, no Uruguai, o país menos desigual nesse âmbito, 34,5% das mulheres do primeiro quintil revelam usar a internet contra 63% do quinto quintil.

A desigualdade somente se reverte no caso das mulheres assalariadas, que apresentam taxas de uso da internet superiores às dos homens. Esse último dado indicaria que contar com habilidades para o uso das TICs pode ser uma ferramenta poderosa para a inserção no mercado de trabalho de muitas mulheres.

As estatísticas indicam que quase a metade das mulheres da região (que representam 50,9% da população, mais de 300 milhões de pessoas) não têm nenhum vínculo com o mercado de trabalho: a taxa de atividade econômica feminina sobe para 49,8% (a masculina chega a 78,7%) e uma em cada 10 mulheres está empregada no serviço doméstico, um dos trabalhos mais mal remunerados e com menor proteção social.

Garantir a autonomia econômica das mulheres, aumentando sua participação no mercado de trabalho e reconhecendo o trabalho não remunerado que elas realizam em sua maioria, é um dos principais desafios dos países da região, propõe a CEPAL. E como na economia digital se reproduzem desigualdades de gênero presentes no restante da sociedade, são necessárias políticas que previnam a segregação do trabalho, que evitem as diferenças salariais e promovam uma justa divisão sexual do trabalho.

A segregação do trabalho (horizontal e vertical), afirma a CEPAL, é patente no mundo da ciência, apesar de que nos últimos anos tem aumentado o número de mulheres nessa área.

A primeira segregação refere-se ao fato de que as mulheres se concentram em disciplinas relacionadas com as ciências da saúde, sociais, humanas e naturais, deixando em último lugar as ciências exatas e engenharias, onde predominam os homens. Outra expressão da segregação horizontal de gênero é a representação sumamente escassa das mulheres na pesquisa industrial.

A segregação vertical, por sua parte, significa que as pesquisadoras da região possuem muito poucas possibilidades de chegarem a níveis mais altos no escalão do mercado de trabalho e ter acesso a postos de poder ou de alta hierarquia. "Um dos grandes problemas para o desenvolvimento profissional das mulheres é o conflito dos papéis que experimentam ao ter que atender, simultaneamente, as demandas familiares e profissionais", explica o documento.

A Comissão destaca, também, a falta de participação das mulheres na produção de conteúdos digitais, o que gera um alto grau de preconceito sexual. Na indústria de videogames, por exemplo, é recorrente a representação de mulheres como objetos passivos e sexuais e de homens como sujeitos ativos e violentos.

Segundo o estudo, a maioria dos países da América Latina e do Caribe tem hoje estratégias digitais nacionais, que permitiram avanços importantes no acesso de toda a população às TICs. Porém a maior parte delas não inclui ações específicas para promover a igualdade de gênero, ainda que se destaquem as experiências do Equador, México e República Dominicana.

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Mais informações em:  ://www.cepal.org/12conferenciamujer/default.asp?idioma=PR.

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