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O comércio da região terá importante aumento em 2021, mas a recuperação será assimétrica e heterogênea em um contexto de incerteza

Em seu relatório anual “Perspectivas do Comércio Internacional da América Latina e do Caribe”, a CEPAL projeta que as exportações crescerão 25% neste ano, após queda de 10% em 2020.

7 de dezembro de 2021|Comunicado de imprensa

O comércio internacional da América Latina e do Caribe terá uma recuperação importante em 2021 após a forte queda observada no ano passado, mas essa recuperação será assimétrica e muito heterogênea entre os países da região, em um contexto de grande incerteza devido à crise provocada pela pandemia da COVID-19, informou hoje a CEPAL em um novo relatório anual.

A Comissão Regional das Nações Unidas divulgou seu relatório: Perspectivas do Comércio Internacional da América Latina e do Caribe 2021 em uma coletiva de imprensa liderada pela Secretária-Executiva da CEPAL, Alicia Bárcena.

Segundo o documento, para todo o ano de 2021, a CEPAL projeta um aumento de 25% no valor das exportações regionais de bens - após cair 10% em 2020 -, impulsionado pela alta de 17% nos preços de exportação e uma expansão de 8% do volume exportado. Enquanto o valor das importações de bens aumentaria 32%, com expansão de 20% em seu volume e de 12% nos preços. Para 2022, estima-se que o valor das exportações e importações regionais de bens crescerão 10% e 9%, respetivamente, no contexto de um menor crescimento da economia regional e mundial.

A América do Sul registraria o maior aumento do valor exportado em 2021 (34%), pois, dada a sua especialização exportadora, se beneficiaria especialmente com os maiores preços das matérias-primas. Uma situação semelhante é observada no Caribe, que se beneficiará dos altos preços do petróleo, do gás e da bauxita exportados pela Guiana, Trinidad e Tobago e Jamaica, respectivamente. O valor das exportações mexicanas (que consiste majoritariamente de manufaturas) cresceria 17%, impulsionado principalmente pela expansão de seu volume. Uma situação similar, também, pode ser observada no caso da América Central. Por sua vez, o valor das importações cresceria mais de 25% em todas as sub-regiões e no México.

O aumento das exportações de bens da região durante 2021 é explicado principalmente pelo aumento dos preços dos produtos básicos, sobretudo minerais, petróleo e produtos agroindustriais, mais do que pela expansão do volume exportado. Da mesma forma, as exportações regionais de serviços ainda não se recuperaram da queda sofrida como resultado da pandemia. Particularmente, a dependência regional do turismo supera em muito a média mundial, de modo que a incerteza quanto à reabertura desse setor condiciona negativamente as perspectivas de várias economias, especialmente do Caribe, alerta a CEPAL. Em suma, a recuperação do comércio regional em 2021 mostra importantes fragilidades.

“Essa situação exige uma reflexão sobre a urgência de aprofundar a integração econômica regional. Avançar para um mercado regional integrado é indispensável não só para gerar escalas eficientes de produção e promover processos de diversificação produtiva e exportadora, mas também para alcançar uma maior autonomia em setores estratégicos. Esse último objetivo tem adquirido particular relevância face às perturbações provocadas pela pandemia nas cadeias mundiais de abastecimento”, destacou Alicia Bárcena na apresentação do documento.

Efetivamente, o relatório da CEPAL indica que existem vários fatores de incerteza no comércio mundial: ritmo desigual de vacinação e novas variedades do vírus; pressões inflacionárias e dificuldade em manter os estímulos fiscais; tensões comerciais e riscos no setor imobiliário da China; interrupções nas cadeias de abastecimento e aumento dos fretes.

Sobre esse último ponto, calcula-se que o custo médio global do frete de contêineres por via marítima tenha subido em mais de 660%, de junho de 2019 até o momento.

De acordo com o relatório, o maior dinamismo é registrado no comércio com a China e dentro da própria região, embora com dinâmicas muito diferentes. A variação anual projetada para 2021 no valor das exportações regionais para a China é de 35%, enquanto para a própria região da América Latina e do Caribe a cifra chega a 33%. As vendas para a União Europeia cresceriam 23% e para os Estados Unidos 19%.

Apesar da recuperação das exportações intrarregionais em 2021, sua participação nas exportações totais de bens da região chegará somente a 13% em 2021, muito abaixo de seus máximos históricos (21% em 1994 e 2008). Enquanto é projetado que a região como um todo registre em 2021 um superávit de US$ 24 bilhões em 2021, menos do que os US$ 64 bilhões registrados em 2020, o que é explicado principalmente pela forte recuperação do volume importado.

Um segundo capítulo de Perspectivas do Comércio Internacional aborda o desafio da autonomia produtiva regional na indústria da saúde. A América Latina e o Caribe têm um déficit comercial persistente no setor farmacêutico e apenas 13% de suas importações provêm da própria região, o que a deixa em uma situação vulnerável diante de rupturas no abastecimento externo. Na grande maioria dos países da região, o mercado local não é suficiente para impulsionar uma escala de produção competitiva no setor farmacêutico, nem tampouco no setor de dispositivos médicos. Isso evidencia a importância de implementar políticas que favoreçam uma maior integração dos mercados nacionais, de forma a criar um mercado amplo e estável que produza os incentivos necessários à expansão da produção regional.

O documento da CEPAL dedica um terceiro capítulo à contribuição do comércio internacional para a economia circular. Esta busca um uso mais sustentável de materiais e produtos, preservando seu valor e utilidade durante o maior tempo possível. Nesse âmbito, a CEPAL pede aos países da região para incorporar em suas agendas comerciais a perspectiva da economia circular. Insiste também, na harmonização de normas entre os países e na redução de barreiras comerciais com a finalidade de criar mercados regionais, bem como aumentar insumos e produtos reciclados nas cadeias de setores exportadores de recursos naturais, como mineração, agroindústria e florestal.