O Brasil frente a nova era geopolítica: CEPAL e BNDES promovem diálogo sobre como transformar ativos estratégicos em desenvolvimento

15 Set 2026 | Press Release

O relatório Rupturas e oportunidades: propostas para que a América Latina e o Caribe prosperem na nova era geopolítica foi apresentado durante um seminário internacional coorganizado pelo BNDES e pela CEPAL, com um diálogo de alto nível sobre as oportunidades para a região, com especial atenção ao Brasil.

Foto de los principales ponentes del encuentro
De izquierda a derecha: Aloizio Mercadante, Presidente del BNDES; Michelle Bachelet, expresidenta de Chile; Camila Gramkow, Directora de la Oficina de la CEPAL en Brasil; y José Manuel Salazar-Xirinachs, Secretario Ejecutivo de la CEPAL (foto: BNDES).

(Rio de Janeiro, 15 de setembro de 2026) A Comissão da CEPAL sobre Geopolítica, Globalização e Desenvolvimento para a América Latina e o Caribe apresentou, neste dia 15 de setembro, no Rio de Janeiro, seu relatório “Rupturas e oportunidades: propostas para que a América Latina e o Caribe prosperem na nova era geopolítica”, durante um seminário internacional coorganizado pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) e pela Comissão Econômica para a América Latina e o Caribe (CEPAL).

O evento contou com a participação de Aloizio Mercadante, presidente do BNDES e membro da Comissão; Michelle Bachelet, ex-presidente do Chile e copresidente da Comissão; e José Manuel Salazar-Xirinachs, secretário-executivo da CEPAL. A apresentação foi seguida por um diálogo de alto nível sobre as oportunidades para a América Latina e o Caribe na nova era geopolítica, moderado por Camila Gramkow, Diretora do Escritório da CEPAL no Brasil.

O evento no Rio de Janeiro faz parte da fase de diálogos políticos e divulgação do relatório, após o lançamento oficial em 4 de agosto na sede da CEPAL, em Santiago do Chile. Por meio desses encontros, a CEPAL busca divulgar as recomendações da Comissão e promover um debate urgente na região sobre a nova era geopolítica e a necessidade de os países da região desenvolverem estratégias claras para enfrentar seus desafios, adaptadas às suas realidades específicas. 

O relatório articula-se em torno de quatro mensagens centrais. A primeira indica que o mundo mudou e que muitos dos ativos que a América Latina e o Caribe possuem — entre eles energia, alimentos, minerais críticos, biodiversidade, capacidades produtivas e talento — adquiriram um valor estratégico renovado. A segunda sustenta que transformar essas oportunidades em desenvolvimento e projeção internacional requer estratégias claras, instituições fortes e governança eficaz. A terceira, sobre cooperação, afirma que a região não precisa concordar em tudo para avançar e propõe promover uma cooperação e coordenação pragmáticas, em vez de buscar a unanimidade. Por fim, em relação ao mundo, a Comissão recomenda ampliar as opções, evitar alinhamentos rígidos, diversificar alianças e fortalecer as capacidades de análise e ação geopolítica.

Além das mensagens de fundo, Michelle Bachelet destacou o processo de deliberação da Comissão e a diversidade de sua composição. “Somos um grupo muito diversificado de pessoas que, no entanto, fomos capazes de combinar nossas diferentes trajetórias culturais, profissionais e ideológicas para chegar a um acordo sobre este roteiro para nossa região. Que isso sirva de lembrete de que, às vezes, exageramos as diferenças e nos trancamos em trincheiras, distanciando-nos daqueles com quem precisamos chegar a um acordo para poder avançar em projetos ambiciosos”, afirmou. 

Essa mensagem também foi reiterada pelos ex-presidentes Bachelet e Duque, Co-Presidentes da Comissão, na apresentação do documento: “Em um contexto de rivalidade geopolítica e fragmentação, quando a polarização vai aumentando e ouvem-se discursos extremos que veem no outro uma ameaça existencial, nosso exemplo demonstra que é possível dialogar com base na razão e na boa-fé, e encontrar pontos em comum apesar das diferenças.”

O Secretário Executivo Salazar-Xirinachs destacou a necessidade de os países desenvolverem estratégias para lidar com um cenário internacional mais complexo. “A nova era geopolítica veio para ficar. Não é possível evitá-la nem contorná-la; é preciso aprender a lidar com ela, com estratégias claras e ações coordenadas”, afirmou. 

O Brasil ocupa um lugar especialmente relevante nessa discussão. Pelo tamanho de sua economia, sua riqueza em recursos naturais, suas capacidades produtivas e tecnológicas e seu sistema de financiamento para o desenvolvimento, o país reúne vários dos ativos que o relatório identifica como estratégicos na nova era geopolítica.

Um dos exemplos mais claros está nos minerais críticos. O relatório destaca que o Brasil possui a segunda maior reserva mundial de terras raras, atrás apenas da China, mas representa menos de 1% da produção mundial. Esse contraste ilustra um dos principais desafios apontados pela Comissão: transformar a dotação de recursos estratégicos em maiores capacidades produtivas, tecnológicas e de agregação de valor.

O documento também destaca iniciativas recentes do BNDES e da Financiadora de Estudos e Projetos (FINEP), do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovações (MCTI) do Brasil, voltadas para o processamento de minerais estratégicos, o desenvolvimento tecnológico e a produção local de materiais e produtos manufaturados relacionados à transição energética e à descarbonização.

“Viemos para debater os processos de ruptura da ordem global, que colocam em questão a globalização econômica e corroem o modelo multilateral, e como isso afeta o desenvolvimento do Brasil e da região. A América Latina e o Caribe possuem ativos que ganharam maior valor nesse novo cenário, mas é necessário contar com estratégias claras, instituições sólidas e uma governança eficaz para transformar esse potencial em oportunidades”, explicou o Presidente do BNDES, Aloizio Mercadante.

Nos próximos meses, a CEPAL continuará promovendo apresentações e diálogos em diferentes países e regiões, com o objetivo de ampliar a discussão das propostas do relatório e contribuir para a construção de respostas diante dos desafios e oportunidades da nova era geopolítica.