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Nova geração de políticas industriais é fundamental para o desenvolvimento das micro, pequenas e médias empresas da América Latina e do Caribe

Num seminário de alto nível em Buenos Aires autoridades e especialistas debatem os desafios das MPME frente à disrupção tecnológica e incerteza global.

10 de outubro de 2018|Comunicado de imprensa

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Inauguração do seminário MIPYME feito no Buenos Aires, Argentina
Inauguração do seminário MIPYME feito no Buenos Aires, Argentina.
Foto: CEPAL

A geração de novas políticas industriais que impulsionem ecossistemas tecnológicos é fundamental para o desenvolvimento das micro, pequenas e médias empresas (MPME) da América Latina, assinalaram autoridades, especialistas internacionais e representantes do setor público e privado que participam do seminário Uma agenda para as MPME frente à disrupção tecnológica, os novos modelos produtivos e a incerteza comercial. Boas práticas na América Latina e na União Europeia, iniciado hoje em Buenos Aires, Argentina.

Na reunião de alto nível os participantes abordarão os principais desafios dessas empresas e a formulação de estratégias de cooperação que as ajudem a superá-los. A reunião foi organizada pela Comissão Econômica para a América Latina e o Caribe (CEPAL), a União Europeia e a União Industrial Argentina (UIA).

Ante uma sala abarrotada com mais de 200 participantes, o encontro foi aberto por Fernando Grasso, Secretário de Indústria do Ministério de Produção e Trabalho da Argentina; Jolita Butkeviciene, Diretora para a América Latina e o Caribe da Direção Geral da Comissão Europeia para a Cooperação Internacional e o Desenvolvimento (DG DEVCO); Daniel Funes de Rioja, Vice-Presidente da UIA, Presidente da Coordenadoria das Indústrias de Produtos Alimentícios da Argentina (COPAL) e Chair B20 Argentina (fórum internacional dos empresários para o G20); e, em representação da Secretária Executiva da CEPAL, Alicia Bárcena, o Secretário Executivo Adjunto do organismo regional das Nações Unidas, Mario Cimoli.

Fernando Grasso indicou que a infraestrutura física e a conectividade são essenciais para que as MPME possam se desenvolver. Também destacou o papel da educação como ferramenta que cria a capacidade de gerar pessoas que fomentem a inovação.

“Estamos vivendo a uma velocidade enorme devido à mudança de paradigma tecnológico, com um alcance transversal na produção. Sob esse ponto de vista, é importantíssimo que haja um nível de infraestrutura adequado para que as empresas possam atuar num ambiente que permita internalizar este tipo de tecnologias, mas também que existam políticas de sensibilização que possam ajudar as PME a entender o que é essa revolução”, assinalou Grasso.

Jolita Butkeviciene indicou que, para poder enfrentar esses desafios, as MPME da América Latina necessitam de apoio, já que por si sós não poderiam superá-los. “Na UE queremos ter uma visão compartilhada com a América Latina. Para nós, não há nada mais importante do que o crescimento sustentável com emprego”, enfatizou a representante máxima do bloco europeu para a cooperação com a América Latina e o Caribe.

“Precisamos compartilhar assessoria técnica e lições aprendidas. Também necessitamos de um impulso; estamos aqui para apoiar, mas para isso é fundamental a criatividade. Todo o campo está aberto nas mãos de vocês para a cooperação mútua”, acrescentou Butkeviciene.

Daniel Funes assinalou que a Argentina é um país que tem recursos naturais e humanos adequados para aderir a essa mudança ou disrupção tecnológica em meio às incertezas globais e locais. “Isso não vai nos frear. A velocidade da mudança é tal que, ou aderimos agora, ou o atraso e o divórcio com o mundo desenvolvido se agravam”, disse.

“Mas sozinhos não conseguiremos; precisamos de integração. E essa integração tem que nos levar a um modelo de inclusão produtiva e a trabalhar lado a lado para um desenvolvimento sustentável. Como empresários, reafirmamos nossa vocação para o multilateralismo e a integração inteligente”, acrescentou.

O Secretário Executivo Adjunto da CEPAL, Mario Cimoli, indicou que, se não forem fechadas as lacunas de produtividade e estrutura produtiva, não haverá processo de inclusão possível para as empresas micro, pequenas e médias.

“Precisamos de uma nova geração de políticas industriais na América Latina e no Caribe, tal como se fez na Europa. Nossa preocupação é construir políticas que impulsionem ecossistemas tecnológicos, mas isso deve ser feito num contexto de sustentabilidade e dentro do multilateralismo. Isso é fundamental”, afirmou Cimoli.

O seminário, que se encaixa nas atividades do projeto EUROMIPYME que a CEPAL executa com financiamento da União Europeia, busca apoiar os governos da região no desenvolvimento de melhores políticas de fomento para as MPME, que representam aproximadamente 99% das empresas, 61% do emprego e 25% da produção da América Latina.

Em diversos painéis, os participantes analisarão a acelerada inovação digital que está modificando de maneira radical os modelos de negócio, os processos produtivos e os padrões de consumo, situação que colocou no centro das estratégias empresariais a capacidade de construir redes e sistemas produtivos devidamente articulados e integrados. Também serão propostos espaços de diálogo público-privado que permitam avançar na formulação de novas diretrizes estratégicas para a formulação de medidas de apoio às MPME que considerem as mudanças no cenário competitivo global.

Durante o evento, foi apresentada a publicação MPME na América Latina: um frágil desempenho e novos desafios para as políticas de fomento, elaborada pela CEPAL com o apoio da União Europeia, que analisa o desempenho das micro, pequenas e médias empresas (MPME) da região e as políticas e instituições que as apoiam.

Segundo o documento, o esforço realizado pelas entidades de fomento permitiu ampliar o marco normativo e diversificar as medidas de apoio. Não obstante, esses avanços não são suficientes para enfrentar os desafios que caracterizam o atual cenário competitivo, motivo pelo qual se torna necessário propor uma mudança profunda no enfoque e nas modalidades de trabalho das entidades de apoio.