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Desenvolvimento, integração e igualdade devem ser as respostas da América Central ao complexo contexto global: Alicia Bárcena

A Secretária Executiva da CEPAL proferiu uma conferência magistral no âmbito do colóquio “América Central e México na encruzilhada hoje”, organizado pelo organismo regional das Nações Unidas, El Colegio de México e o Sistema da Integração Centro-Americana (SICA).

29 de outubro de 2018|Comunicado de imprensa

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Fotografía de la testera.
Foto: CEPAL.

A Secretária Executiva da Comissão Econômica para a América Latina e o Caribe (CEPAL), Alicia Bárcena, afirmou hoje que a resposta da América Central ao complexo contexto global deve ser guiada pelos princípios de busca da igualdade, maior eficiência produtiva e reforço da integração, tudo no âmbito da Agenda 2030 para o Desenvolvimento Sustentável e seus 17 Objetivos.

A alta funcionária das Nações Unidas proferiu uma conferência magistral no colóquio “América Central e México na encruzilhada hoje”, organizado pela CEPAL, El Colegio de México e o Sistema da Integração Centro-Americana (SICA).

Junto a Alicia Bárcena, abriram o encontro Silvia Giorguli, Presidente de El Colegio de México, Maximiliano Reyes, em representação do Secretário Designado de Relações Exteriores do México, Marcelo Ebrard, e Vinicio Cerezo, Secretário-Geral do SICA.

Durante sua exposição, a Secretária Executiva da CEPAL afirmou que a América Latina e o Caribe devem aprofundar a integração regional frente ao complexo contexto global com o fim de reduzir a exposição ao crescente protecionismo, avançar rumo a uma aliança produtiva sub-regional e apoiar a diversificação e agregação de valor às exportações.

Para isso, é crucial avançar na facilitação do comércio e reduzir barreiras não tarifárias, melhorar a qualidade da infraestrutura, impulsionar a criação de novas capacidades científicas e capacitar recursos humanos para aproveitar as oportunidades da revolução tecnológica.

Acrescentou que “os países devem investir em capital humano e reduzir as lacunas em educação formal que se transmitem entre gerações, dando um salto forte para a educação terciária. Devemos eliminar as barreiras no acesso à saúde que reduzem a produtividade e a esperança de vida”, assinalou.

A máxima representante da CEPAL recordou que as principais causas da migração nos países do istmo centro-americano, basicamente El Salvador, Guatemala e Honduras, são a falta de emprego e a crise econômica em seu lugar de origem, a renda muito baixa e as más condições de trabalho, a violência ou insegurança e, em menor medida, os motivos familiares, como a reunificação.

Nesse sentido, com 47,8 milhões de habitantes (cerca de 7,4% da população total da América Latina), a América Central registrou no último quinquênio um crescimento anual médio de 3,9%, superando a média regional de 0,8%. Contudo, os níveis de pobreza continuam extremamente altos, principalmente em zonas rurais, com cifras que alcançam 76,1% da população na Guatemala, 65% em Honduras e 50,1% na Nicarágua.

Em matéria de desigualdade, a Secretária Executiva da CEPAL indicou que o quintil mais rico da população na América Central se apropria de 47% da renda. Além disso, um centro-americano do decil mais rico obtém entre 20 e 70 vezes mais renda que um do decil mais pobre.

Em matéria de emprego, Alicia Bárcena assinalou que hoje mais de 600 mil jovens centro-americanos buscam ingressar no mercado do trabalho, mas são gerados somente cerca de 250 mil empregos formais novos.

Ante esta realidade, uma das opções é a migração. Estima-se que cerca de 250 mil centro-americanos emigram de seus países. Mais da metade são jovens, alguns deles menores de idade, afirmou a Secretária Executiva da CEPAL.

“Pretendemos crescer para igualar e igualar para crescer e que a integração seja um motor, que se identifiquem áreas de expansão, que se diversifique com inovação tecnológica, uma política fiscal que freie a evasão e faça com que haja sustentabilidade ecológica e ambiental como limite estratégico para o investimento, a inovação e a produção”, acrescentou.

“Há uma oportunidade de desenvolvimento, de integração com igualdade”, concluiu.

Durante a sua participação no colóquio, Alicia Bárcena apresentou o livro Desenvolvimento, integração e igualdade: a resposta da América Central à crise da globalização, com o qual a CEPAL busca contribuir ao debate e apresentar um diagnóstico que inclui a macroeconomia, o desenvolvimento produtivo e tecnológico, o comércio internacional, o panorama social, a realidade demográfica e a mudança climática.