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China aposta em vínculo estratégico com a América Latina e o Caribe

O Primeiro-Ministro Li Keqiang reafirmou o compromisso chinês de trabalhar em conjunto com a Região para promover a cooperação entre ambas as partes.

25 de maio de 2015|Comunicado de imprensa

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Imagem do Primeiro-Ministro do China na CEPAL
O Primeiro-Ministro do China, Li Keqiang, junto a Presidenta do Chile, Michelle Bachelet (direita), e a Secretária-Executiva da CEPAL, Alicia Bárcena (esquerda).
Foto: Carlos Vera/CEPAL.

(25 de maio de 2015) “A China está disposta a aprofundar sua cooperação com a América Latina e o Caribe para que possamos aprender mutuamente e abrir juntos um novo caminho para a Associação de Cooperação Integral China-América Latina e o Caribe, anunciada pelo Presidente Xi Jinping em julho do ano passado”, afirmou o Primeiro-Ministro do país asiático, Li Keqiang, durante uma Conferência na sede da CEPAL em Santiago do Chile.

A alta autoridade chinesa apresentou um discurso direcionado a toda a Região latino-americana e caribenha, no final de uma viagem que incluiu quatro países: Brasil, Colômbia, Peru e Chile. Contou-se com a ilustre presença da Presidenta do Chile, Michelle Bachelet, como convidada de honra.

O Primeiro-Ministro foi recebido por Alicia Bárcena, Secretária-Executiva da CEPAL, que lhe deu as boas-vindas em nome da Comissão Regional da ONU e destacou a relevância de sua mensagem para toda a região e assim compreender melhor suas estratégias de curto e médio prazo.

“A relação entre a China e a América Latina e o Caribe já alcançou suficiente maturidade para dar um salto de qualidade e avançar para um vínculo estratégico que proporcione benefícios mútuos,” assinalou Alicia Bárcena.

 “Sua visita marca o aprofundamento das relações econômicas, políticas e de cooperação que tem ocorrido nos últimos anos. Na CEPAL temos acompanhado com grande atenção o complexo processo de reformas pela qual passa a China para avançar em direção a um modelo de desenvolvimento inclusivo com uma maior sustentabilidade ambiental”, afirmou a funcionária da ONU.

Segundo dados da CEPAL, entre 2000 e 2014 o intercâmbio de bens entre a América Latina e o Caribe e a China multiplicou-se por 22 vezes. A China já é o segundo sócio comercial da Região e o primeiro do Chile e do Brasil. A expansão e o aprofundamento das relações financeiras e de investimento, particularmente nos âmbitos da infraestrutura e da energia, traria juntamente importantes benefícios comuns, enfatizou Bárcena.

Bárcena ressaltou que é necessário desenvolver ações que apontem para avançar na prosperidade integral de nossas sociedades, o que constitui uma responsabilidade compartilhada. Por exemplo, indicou que o investimento chinês fará uma maior contribuição para o desenvolvimento de nossa região se for orientado não somente para os tradicionais setores de petróleo e mineração, mas que se diversifique para as manufaturas, para os serviços e para o desenvolvimento de uma melhor infraestrutura de transporte, energia e logística.

“Existe também um amplo espaço para promover o diálogo de alto nível e a aproximação de posições entre a China e a Região em temas-chave da agenda global, particularmente a Agenda de Desenvolvimento pós-2015 e o futuro regime multilateral da mudança climático assim como a reforma do sistema monetário internacional. A aproximação estratégica entre a China e a América Latina e o Caribe é também parte desse necessário reforço da cooperação entre os países do sul”, considerou a Secretária-Executiva da CEPAL. 

Em sua Conferência Magistral o Primeiro-Ministro da China agradeceu à CEPAL por suas contribuições para o pensamento e para a cooperação regional e destacou que a América Latina constitui uma relevante pedra angular da paz e estabilidade mundial, se tornando em uma “nova área líder” em constante crescimento no plano político e econômico global.

Li Keqiang enfatizou que a promoção da cooperação entre a China e a Região em capacidade produtiva poderá fomentar o desenvolvimento onde todas as partes sairão ganhando. Explicou que a China propõe que ambas as partes explorem um novo modelo de cooperação 3 x 3, ou seja, a construção conjunta de três grandes vias: logística, energética e informática, materializar a interação virtuosa entre as empresas, a sociedade e o governo, e ampliar os três canais de financiamento (fundos, créditos e seguros).

Acrescentou que a China e a Região devem intensificar ainda mais sua colaboração internacional e reforçar sua coordenação para ter uma voz comum nos temas transcendentais como a reforma da estrutura financeira internacional, as negociações para um novo acordo sobre as emissões de carbono, a elaboração da Agenda de Desenvolvimento pós-2015, assim como a cibersegurança, com o propósito de estabelecer uma rede global de associações de desenvolvimento equilibrada e de benefício universal, protegendo da melhor maneira os interesses comuns e o direito a voz dos numerosos países em vias de desenvolvimento.

Anunciou que durante sua atual viagem pelos quatro países da Região a China assinou um total de mais de 70 documentos de cooperação nas áreas de energia, mineração, construção de infraestruturas, centrais nucleares e inovação científico-tecnológica, por um valor superior a US$ 30 bilhões de dólares.

Li Keqiang reiterou, também, seu compromisso de continuar impulsionando o intercâmbio cultural entre as duas partes, assim como ampliar a cooperação para levar a bom termo os frutos da Primeira Reunião Ministerial do Fórum China-CELAC.

“A China está disposta a unir seus esforços com os países latino-americanos e caribenhos para contribuir com sua parte para a construção de um mundo feliz e trabalhar no conjunto por um mundo mais formoso”, finalizou o Primeiro-Ministro.