CEPAL e UNCTAD promovem o fortalecimento de capacidades para o desenvolvimento produtivo sustentável em oficina internacional realizada no Brasil
Brasília, 31 de dezembro de 2025 — A Comissão Econômica para a América Latina e o Caribe (CEPAL) e a Conferência das Nações Unidas sobre Comércio e Desenvolvimento (UNCTAD), com o apoio da Confederação Nacional da Indústria (CNI), promoveram, nos dias 4 e 5 de dezembro de 2025, na sede da CNI em Brasília, a oficina “Fortalecendo Capacidades para as Economias do Futuro na América Latina e o Caribe: Edição Brasileira – Primeiro Encontro Nacional de Capacitação”. O encontro reuniu, em Brasília, representantes de governos, especialistas de organismos multilaterais, membros do setor de financiamento e da academia, fortalecendo um espaço de diálogo sobre políticas de desenvolvimento produtivo sustentável para aproveitar as oportunidades econômicas e sociais da necessária e urgente transformação estrutural verde e assegurar uma transição justa.
A oficina teve como objetivo fortalecer as capacidades do Estado na formulação e implementação de políticas de desenvolvimento produtivo verde e inclusivo no Brasil, por meio da apresentação de um marco conceitual renovado para políticas de desenvolvimento produtivo (industrial) modernas, verdes e inclusivas; do compartilhamento de conhecimentos e informações sobre marcos de políticas nacionais adotados em outros países, bem como as lições aprendidas; e da criação de um espaço de intercâmbio entre policy makers e especialistas, a fim de facilitar um diálogo que permita compreender os desafios, barreiras e oportunidades enfrentados pelo setor produtivo que possam ser abordados por políticas públicas. A atividade forma parte do projeto de cooperação técnica internacional “Integração Regional e Política Industrial para Transformação Estrutural e Resiliência na América Latina”, do Development Account das Nações Unidas, coimplementado pela UNCTAD e pela CEPAL.
Ao longo dos dois dias, a programação abordou temas centrais para a construção de estratégias de desenvolvimento produtivo sustentável. As discussões incluíram análises sobre tendências globais, desafios estruturais da região e o papel da inovação na promoção de trajetórias industriais mais produtivas, inclusivas e sustentáveis. O debate destacou a necessidade de superar a heterogeneidade estrutural por meio de políticas industriais consistentes, investimentos direcionados e fortalecimento de capacidades institucionais. Foram também apresentadas experiências de políticas industriais do Brasil, Colômbia e República Dominicana, com ênfase em instrumentos de financiamento, modelos de governança e mecanismos de cooperação entre governos, setor privado e organismos multilaterais.
O diálogo técnico ressaltou que as economias da América Latina e Caribe estão bem posicionadas para realizar uma transição verde efetiva e acelerar o progresso em direção aos objetivos de desenvolvimento econômico, social e ambiental, embora também existam riscos e desafios importantes. A transição para economias sustentáveis demanda coordenação interinstitucional e multinível, estabilidade regulatória e instrumentos financeiros que permitam acelerar investimentos e ações para transformações produtivas. Especialistas da CEPAL e da UNCTAD enfatizaram a importância de políticas orientadas a missões ou objetivos de longo prazo, capazes de estimular a inovação, ampliar capacidades tecnológicas e fortalecer cadeias produtivas estratégicas. A integração regional da ALC também foi destacada como uma grande oportunidade para o adensamento de cadeias produtivas e ampliação de mercados sobretudo em um contexto em que a agenda climática pode apresentar janelas de oportunidade para o desenvolvimento de cadeias produtivas sustentáveis na região. A experiência brasileira do programa Rotas de Integração, do Ministério do Planejamento e Orçamento foi um dos destaques da sessão sobre integração regional.
A oficina contou com a participação de Marco Llinás, Diretor de Desenvolvimento Produtivo e Empresarial da CEPAL; Camila Gramkow, Diretora a.i. da CEPAL no Brasil; Piergiuseppe Fortunato, Oficial Sênior de Assuntos Econômicos da UNCTAD, e Clóvis Freire, Chefe da Seção de Commodities da UNCTAD. Participaram também representantes do Ministério de Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC) do Brasil (Luis Felipe Giesteira, Secretário-Adjunto de Desenvolvimento Industrial, Inovação, Comércio e Serviços, e Rafael Ramos Codeço, Diretor do Departamento de Desenvolvimento da Indústria de Bens de Consumo Não Duráveis e Semiduráveis) , do Ministério das Relações Exteriores da Colômbia (Segundo-Secretário de Relações Exteriores Eduardo Mc Ausland Bustillo); da Innpulsa Colômbia (Diretor-Geral Héctor Fuentes); e do Vice-Ministério da Economia da República Dominicana (Coordenador do Vice-Ministério da Economia). O evento contou ainda com Fabricio Silveira, Superintendente de Política Industrial, e Samantha Ferreira e Cunha, Gerente de Política Industrial, da Confederação Nacional da Indústria (CNI), Embaixadora Daniela Arruda Benjamin, Diretora do Departamento de Integração Regional, Ministério das Relações Exteriores (MRE); João Villaverde de Almeida, Secretário de Articulação Institucional, Ministério do Planejamento e Orçamento; Carina Vitral, Coordenadora de Inovação Verde e Transição Justa, Ministério da Fazenda; além de representantes do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), Financiadora de Estudos e Projetos (FINEP), Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG); Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) e Universidade Estadual de Campinas (Unicamp). . As autoridades e os especialistas destacaram a importância estratégica de consolidar políticas industriais robustas e alinhadas à sustentabilidade, ressaltando a necessidade de ampliar capacidades tecnológicas, fortalecer a inovação e promover maior integração regional frente às transformações econômicas e ambientais em curso.
O evento reforçou o compromisso conjunto da CEPAL, da UNCTAD, do MDIC e da CNI em promover políticas de desenvolvimento produtivo verdes e inclusivas e ampliar capacidades nacionais e regionais voltadas às economias do futuro. O Primeiro Encontro Nacional de Capacitação representa um passo significativo na construção de agendas colaborativas para o desenvolvimento produtivo da América Latina e do Caribe, reafirmando a importância de iniciativas integradas para enfrentar os desafios e aproveitar as oportunidades das transformações ecológica e tecnológica na região.